As palavras e o meu sentir

Via Pinterest @AndressaPKlein

Lembrei, mais uma vez, de um dia há alguns anos, eu caminhava para o trabalho pensando sobre as palavras e minha relação com elas. Não me lembro quando elas entraram na minha vida, mas sei que antes de aprender a ler, eu já queria conhecê-las, fingia ler e escrever, tinha tanta curiosidade sobre elas. Cresci e desenvolvi uma relação de amor e ódio com elas.

Amor porque elas eram minha válvula de escape, meu vício, meu ópio. Seja lendo palavras alheias, seja costurando as minhas. Ódio quando elas me faltavam, quando o branco invadia e o silêncio delas era ensurdecedor.
Meus passos seguiam o caminho conhecido e minha mente divagava sobre isso. Era uma rua arborizada, linda, havia flores diversas nas árvores e um aroma de flamboyant que sinto tanta falta. Olhei para um árvore em especial e pensei que a amava, mas foi um pensamento vazio, sem sentimentos. Foi quando percebi, eu podia repetir mil vezes que amava aquela árvore, mas as palavras pareciam tão vazias. Eram só isso, palavras.
Mas eu não sentia que era falta de amor, o que era então? Foi quando vislumbrei pela primeira vez a represa emocional que eu havia criado dentro do peito, nela, todos os meus sentimentos, bons e ruins, presos naquela represa.
Mais tarde conheci Clarissa Pinkola Estes, foi quando minha metáfora fez sentido e eu entendi melhor o quão mal aquela represa me fazia, com suas águas paradas apodrecendo meus sentimentos, sugando minha vida. Naquele dia era só um desejo profundo de sentir mais que falar, preferia não ter mais as palavras se pudesse realmente sentir a vida pulsando dentro de mim.
Algum tempo depois as barragens foram se desfazendo, lentamente, mas de forma dolorida. Pois quando as águas de uma represa correm é que podemos ver o lixo que ficou lá, preso. Tudo vai voltando a tona e dói.
Meses depois ou anos, talvez, uma resolução de ano novo foi entrar mais em contato com minhas emoções. Em janeiro, engravidei. E foi na maternidade que tudo veio a tona, foi quando o amor se tornou mais e mais sentimento e as palavras me faltaram para descrever. E foi também quando veio o medo da mesma forma, a angústia, a ansiedade e tudo o mais.
E hoje, posso sentir a vida vibrando no meu peito. Posso agradecer a algo e sentir a GRATIDÃO pulsante. O AMOR! E foi quando a paz também se tornou maior. Foi quando entendi a FÉ, o fazer parte de um todo.
E agora, as palavras às vezes me faltam, e não me importo. A vida fluir como um rio, límpido, claro. Há sim pedras no caminho que represam a água aqui e acola, mas o fluxo resolve.
Quando o fluxo volta a ficar fraco, repito algum dos mantras, me lembrando de senti-los:
Sinto muito, me perdoa, eu te amo, eu sou grata.
Eu aceito, confio, entrego e agradeço.
Anúncios