O que eu queria ler…permita-se!


Via Pinterest @Karina Chaves

Às vezes venho para o pc e fico vagueando pela net em busca de algum texto, uma palavra amiga que eu esteja precisando ler. A maior parte de mim sabe que essa costuma ser uma busca vã, afinal, tudo o que precisamos ler e ouvir está dentro de nós mesmos. Mas tem momentos em que eu encontro o que preciso, e então sempre fico esperançosa de que isso se repita.

Hoje a vontade veio de novo e pensei que ao invés de procurar eu pudesse vir aqui e escrever, eu mesma, o que eu preciso ler. Talvez até, quem sabe, o que eu preciso ler seja também o que você precisa.

O problema é que se eu soubesse exatamente o que preciso ler não seria difícil de encontrar (nem de escrever), mas não sei. E ai, como faz? Uma introdução dessa para ver se a inspiração vem. (risos)

A verdade é que desde ontem meu peito está pesado e um nó na garganta dificulta minha respiração, e é como se eu não fluísse. Emoções confusas e a falta de clareza que tanto me incomoda. O principal eu sei: me sentindo sobrecarregada, pesada, pequena demais diante de tudo que preciso fazer, enfrentar, lidar.

E cansada. Tão cansada! Desse peso que é maior que eu. Que eu mal consigo definir e separar.

Foi quando minha própria voz me disse: relaxe, descanse. Solte esse peso. Permita-se libertar-se dele. Você não precisa carregar tudo isso sozinha, precisa menos ainda, carregar tudo de uma vez. Ponha tudo no chão, livre-se disso tudo. Pegue só o que você precisa pegar agora, só o que você pode carregar. Lide com isso, resolva isso, foque nisso, esqueça do resto. Depois, pegue o próximo montante. Distribua também, permita-se dividir e compartilhar esse peso.

Não carregue mais que o necessário, mais do que pode suportar. Você não precisa provar nada para si mesma. Vá devagar!

Permita-se libertar-se da vergonha. Permita-se soltar a culpa. Deixe para trás agora.

Talvez você precise sim lidar com tudo isso, mas não precisa ser tudo de uma vez. Um peso de cada vez, e tudo já ficará mais leve.

E sabe, é muito importante parar de vez em quando. As pausas são tão importantes quanto as arrancadas. Pause, solte todo o peso e divirta-se. Esqueça de tudo. O mundo não vai explodir e você estará tão mais disposta e forte para aguentar carregar mais pesos.

Permita-se a leveza. Permita-se a paz. Permita-se a paciência.

Só permita-se soltar todo esse peso.

Anúncios

Eu queria

Há no meu peito uma vontade enorme de gritar, de expressar o que tenho carregado nele.
Tanta luz, tanto amor, tanta…mudança.
Quero te contar minhas descobertas, te mostrar minhas inspirações.
Gritar minha felicidade em formas de lágrimas, deixar que elas te contagiem.
Expelir meus medos e receios, deixando-os mais fracos, mais leves.
Ahh, queria tanto gritar ao mundo o meu próprio mundo.
Todas as mudanças que me permiti, que me iluminaram.
Todos os sonhos que sonhei, um dia nevoados, hoje claros como a luz que me sustenta.
Claros no meu dia a dia. Claros e reais.

Eu queria tanto.

As palavras e o meu sentir

Via Pinterest @AndressaPKlein

Lembrei, mais uma vez, de um dia há alguns anos, eu caminhava para o trabalho pensando sobre as palavras e minha relação com elas. Não me lembro quando elas entraram na minha vida, mas sei que antes de aprender a ler, eu já queria conhecê-las, fingia ler e escrever, tinha tanta curiosidade sobre elas. Cresci e desenvolvi uma relação de amor e ódio com elas.

Amor porque elas eram minha válvula de escape, meu vício, meu ópio. Seja lendo palavras alheias, seja costurando as minhas. Ódio quando elas me faltavam, quando o branco invadia e o silêncio delas era ensurdecedor.
Meus passos seguiam o caminho conhecido e minha mente divagava sobre isso. Era uma rua arborizada, linda, havia flores diversas nas árvores e um aroma de flamboyant que sinto tanta falta. Olhei para um árvore em especial e pensei que a amava, mas foi um pensamento vazio, sem sentimentos. Foi quando percebi, eu podia repetir mil vezes que amava aquela árvore, mas as palavras pareciam tão vazias. Eram só isso, palavras.
Mas eu não sentia que era falta de amor, o que era então? Foi quando vislumbrei pela primeira vez a represa emocional que eu havia criado dentro do peito, nela, todos os meus sentimentos, bons e ruins, presos naquela represa.
Mais tarde conheci Clarissa Pinkola Estes, foi quando minha metáfora fez sentido e eu entendi melhor o quão mal aquela represa me fazia, com suas águas paradas apodrecendo meus sentimentos, sugando minha vida. Naquele dia era só um desejo profundo de sentir mais que falar, preferia não ter mais as palavras se pudesse realmente sentir a vida pulsando dentro de mim.
Algum tempo depois as barragens foram se desfazendo, lentamente, mas de forma dolorida. Pois quando as águas de uma represa correm é que podemos ver o lixo que ficou lá, preso. Tudo vai voltando a tona e dói.
Meses depois ou anos, talvez, uma resolução de ano novo foi entrar mais em contato com minhas emoções. Em janeiro, engravidei. E foi na maternidade que tudo veio a tona, foi quando o amor se tornou mais e mais sentimento e as palavras me faltaram para descrever. E foi também quando veio o medo da mesma forma, a angústia, a ansiedade e tudo o mais.
E hoje, posso sentir a vida vibrando no meu peito. Posso agradecer a algo e sentir a GRATIDÃO pulsante. O AMOR! E foi quando a paz também se tornou maior. Foi quando entendi a FÉ, o fazer parte de um todo.
E agora, as palavras às vezes me faltam, e não me importo. A vida fluir como um rio, límpido, claro. Há sim pedras no caminho que represam a água aqui e acola, mas o fluxo resolve.
Quando o fluxo volta a ficar fraco, repito algum dos mantras, me lembrando de senti-los:
Sinto muito, me perdoa, eu te amo, eu sou grata.
Eu aceito, confio, entrego e agradeço.

[sobrecarregada]

mente enjaulada
pede
movimento

tensiona
relaxa
alonga

piruetas no ar
para expulsar
o cansaço
a dor

mexe
move
pula
corre

vem, balança
realça a certeza
de que o corpo
é feito
para dançar

dança
sem cobrança
de acertar

dança
pela leveza
que o movimento
há de te dar

[caos neoliteral]

a arte brota
singela
em silêncio
encontra combustível

explode
espalha
escoa

ecoa no meu peito
retumba

eclode os sentidos
confunde

arte que vibra
viva
arte que me bagunça
pulsa
a arte.

———–

porque a arte me traz meu caos.

me obriga a olhar dentro de mim em tudo que não segue minha lógica fria, racional.
a arte quebra meus sentidos. explode meus desvarios. escancara meus medos. reflete minha confusão.

ah! doce arte que me parte a pele com seu bisturi sensorial e expõe minha carne viva.
me tira o sangue e o então devolve mais vermelho, mais vivo.
transfusão de inspiração.

inspiro. expiro. espio com receio de ser novamente aberta, exposta.

tantos anos a me controlar.
tantos dias a me conformar.
tantos sonhos a sufocar.
e essa intrépida, em segundos,
me descontrola, me revolta, me põe a sonhar.

ela provoca. inóspita. ela convoca ao desconforto de criar.
e eu respondo, tímida.

só para sentir de novo seu arrepio suave sobre a minha pele,
seus sussurros diabólicos a me convidar.
aceito, minha senhora. venha me inspirar.

A Voz

Ando me sentindo leve. Feliz até.

E aparentemente, nada mudou. Nada além de mim mesma.

Meu caos particular continua. Foi eu que aprendi a aceitá-lo e me encontrar nele. Por mais que seja tão diferente da dos outros. Por mais que ninguém, além de mim mesma, entenda.

Aceitei meu jeito de ter tudo do meu jeito. Parei de buscar fórmulas, gurus ou sistemas perfeitos. Encontrei minha própria perfeição. E ela, bom, ela muda diariamente. A cada semana escolho um jeito diferente, mas fluo por ele sem problemas depois que parei de resistir.

Encontrei meus sons, minhas cores. Ando pintando meus próprios quadros, minha própria felicidade.

E de tão diferente da do vizinho, até me confundo. Às vezes ainda demoro um pouco para ver a beleza disso, a beleza em mim, a beleza que vem e vai de mim. Mas, afinando os olhos, limpando as lentes, e soltando o ar, eu vejo. Me enxergo. Me encontro.

Minha luz tem conseguido refletir dentro do meu corpo, pelas janelas que limpei, dos cômodos que desisti de manter fechados. Abri as cortinas, arejei as portas. Deixei o ar entrar e também sair.

Respirei profundamente e fui abrindo minha portinholas. Perdi o medo de ser engolida pela minha Esfinge e ando desvendando meus mistérios, resolvendo meus enigmas.

Desisti do sentido padrão. Do senso comum. De frases lógicas. Do objetivo. Do concreto. Desisti de tudo que não era eu. E então, encontrei um sentido novo, uma lógica diferente.

Me encontrei refletida naqueles que cruzaram meu caminho. Encontrei minha gratidão na luz dos seres incríveis que passaram (e passam) pela minha vida. Me inspirei em outros para ter coragem de olhar para mim mesma.

Funciona. Me vi.

Me perco ainda. Choro ainda. Desconecto. Caio para dentro de mim. Me afogo nas minhas lamúrias. Tenho vertigens.E meu medo me encara com seus olhos grandes e redondos. E eu, bom, eu abraço meu medo. Abraço ele com força e lhe mostro minha presença. “Estou aqui, te amo. Você não vai mais estar sozinho”. E ele relaxa, e ele se solta, ele reflete amor.

E ouvi essa voz, que não parece minha, mas sou eu. Essa voz que carrega uma calma que não me lembra de mim mesma, essa voz que tem a sabedoria de todos aqueles que vieram antes de mim, essa voz que é minha conexão com a Terra, com o sangue dos meus, com os espíritos que me sustentam. Essa voz. Ah, essa voz!

É ela que sussurrava desde sempre, mas hoje ela ecoa dentro do meu peito e afasta meus fantasmas. Essa voz me lembra da força do meu sangue, da coragem do meu espírito, do amor no meu coração. Essa voz abraça meus medos, meus temores, ouve meu choro, me sustenta. Ah, essa voz!

Essa voz que ainda fala comigo na 1ª pessoa do plural. Essa voz que me faz companhia, e me dá todo o amor que eu procurava fora de mim. Essa voz que preenche o vazio com seu som. Essa voz que estará sempre, sempre, comigo.

Essa voz que já teve tantos nomes: Hécate, Sedna, Ixchel… Mulher Selvagem… La Loba… Lakshmi.

Eu sinto muito, me perdoa. Eu te amo. Sou grata.
Aceito, entrego, confio. Agradeço.

				

Meu corpo

(comentário que virou post – inspirada pelo blog Canto da Mulher que Encanta)

Depois da maternidade minha relação com o corpo mudou, antes eu só o via como casca. Mas ai descobri a eutonia, a técnica alexander, a dança e vi que meu corpo era muito mais que uma mera casca. Transitório sim, mas o vejo mais como um repositório, como um veículo de quem eu sou. Nossa essência está no corpo e irá para algum lugar depois dele, mas penso que as lembranças, a vida de agora estão todas no corpo. Nas células, nos músculos, nos ossos… é através dele que eu coloco isso no mundo. Seja escrevendo isso, me relacionando com as pessoas. Com a eutonia vi que meu corpo como é hoje foi moldado por mim, digo dos ossos mesmo, a postura…

Quando eu só o via como casca, não o amava, não me relacionava com ele… era só uma mera casca. Mas descobri que ele carrega tanta sabedoria dentro dele, em suas células estão o instinto, as lembranças daqueles que vieram antes de mim. Descobri que quando sigo o que meu corpo pede tudo flui melhor, difícil é saber o que é corpo, o que é mente, o que é ego… olhei para o meu corpo de verdade, para suas possibilidades, sabedoria, aprendizagens… comecei a conhecê-lo, comecei a enxergá-lo, ele sabe gerar, parir, nutrir. Sabe amar.
Meu corpo tem em si tudo que minha mente não me mostra. Meu corpo tem minha essência. Ele a protege, a cuida.
Amar ficou mais fácil depois de conhecê-lo. Aceitar também.

Sabe o mantra da maternidade: aceitar, confiar, entregar, agradecer. Faço isso com o corpo, ele responde, é lindo.

(texto difuso, né? tentando aceitar esse feminino não-prático, não-objetivo, não-linear. não é fácil não)