Faxina interna e o sagrado

Imagem encontrada no Pinterest | Da loja bomobob no Etsy | Foto de Robert Cadloff

 

Hoje de manhã, enquanto caminhava para o trabalho, ouvi um homem dizendo a outro algo como:

“Porque nós precisamos limpar nossas mágoas, nossas tristezas, nossas dores. Precisamos jogar fora.E nós humanos não conseguimos fazer essa limpeza tão profunda, por isso a importância de Deus, da divindade. É ele agindo que faz isso, que nos purifica!”

Em um primeiro momento pensei “ei, sou capaz de fazer sim! rs”, mas mesmo assim, gostei do pensamento. Porque acredito que para eu fazer isso realmente preciso do meu sagrado, da minha conexão. E para mim isso é interno, o meu sagrado é um ponto em mim que me conecta com todo o resto do mundo.
Então pensei que para fazer essa tal limpeza é preciso encontrar essa conexão, entrar nesse estado e que cada pessoa tem o seu. E por isso a importância das religiões. Por muito tempo eu achei que religião perda de tempo, bobagem, ‘ópio do povo’ (oi, Marx!). Mas hoje vejo de outra forma, as religiões permitem que encontremos pessoas com a mesma vibração que a nossa, o que gera a sensação de pertencimento, acolhimento e agora, vejo essa limpeza também.

Como o Universo é um lindo e gosta de mandar suas mensagens por todos os lados, dei de cara com o texto incrível da Juliana Garcia, coach e falando sobre a poeira que nos recobre internamente.

Se a temática já tinha ficado rondando aqui na minha cabeça, voltou com força, e eu comecei a pensar nas formas que eu chego nisso, onde é que eu consigo me sentir desobstruindo os caminhos, botando a energia para circular, tirando a poeira? Descobri com espanto que eu tenho alguns caminhos para isso, mas o espanto maior foi que eu não tenho feito quase nenhum ultimamente!

E ora essa, essa sinusite ferrada que me pegou, esse desânimo, a falta de motivação para fazer a limpeza externa (um dos meus problemas é esse, baixa a energia em tudo!) não é tudo uma coisa só?!

Lá vou eu voltar para as coisas que me trazem esse estado meditativo que permite a limpeza e assim, a vida volta a fluir! Para mim é: me mover da forma que o corpo pede (alongamento, dança, pulo ou mesmo movimentos doidos e descoordenados, mas que ajudam tanto! rs), correr, respirações completas que aprendi na Yoga, brincar com meu filho de coisas físicas (correr, esconder, apertar, pular), criar (escrever, principalmente), faxinas físicas(internas e externas, de corpo e de ambiente!), destralhe, desapego e a lista segue.

E você? O que te traz essa sensação de conexão com o seu sagrado? O que abre os caminhos para a faxina interna? Você tem feito isso? Bora lá!

Minimalismo, sentimentos e o rio da vida

Conheci o minimalismo buscando sobre organização quando tinha um bebê de poucos meses no braço e uma casa de pernas para o ar ao redor. Eu estava em pedaços depois de parir meu bebê – resultado de um ritual de passagem maravilhoso ao qual me entreguei por completo, o parto – e hoje vejo que eu só queria encontrar uma forma de remontar esses pedaços, era isso que eu queria organizar: eu.

Foi o minimalismo que me mostrou que antes de organizar qualquer coisa eu precisava jogar fora tudo aquilo que não fazia mais sentido, eu precisava desapegar, soltar, deixar ir.

É engraçado como a gente se agarra nas coisas. Nas coisas boas para continuar sendo boas, até que não sobra mais nada deles além de dor e de sofrimento. Nas coisas ruins nos agarramos marcando a alma com sofrimento, mágoa e ressentimento. Nos apegamos também aquilo que não queremos assumir, deixamos escondido dos nossos próprios olhos o que não podemos aceitar em nós e ai aquela coisa cresce, reflete nos outros, surge em nossas crianças. Nos apegamos a objetos, imagens, pessoas, lugares, casas, espaço, tempo… nos apegamos a um período de nós e não nos deixamos ir além daquilo.

Meu minimalismo começou no plano físico, das coisas e objetos e foi se refletindo dentro de mim. E quanto mais eu entendia isso tudo, mas a imagem que eu sempre tive da vida ia ficando mais clara: o rio.

O rio que precisa fluir. As águas que precisam correr. Águas que correm dentro de nós e permitem que nós possamos criar, florescer. Fluir é o oposto de estagnar. Fluir é movimento, é leveza, é crescer. Estagnação é parar no tempo, na vida… e quando a vida pára, a morte toma conta.

Não que não haja morte no movimento. Mas quando há fluidez a morte é só uma etapa para vida vir ainda mais forte, desenvolvida. Quando o ciclo da vida flui a morte-vida-morte é uma espiral que nos impulsiona para cima. Quando esse ciclo estagna, não sai da morte e toda vida parece ter de resistir com tanta força que acaba com nossas energias.

Foi com o minimalismo que minha metáfora para vida fez mais sentido. E foi com essa metáfora que entendi a importância de deixar que os sentimentos fluam. Quantas vezes freamos nossos sentimentos? Não permitamos que eles sigam seu percurso?

Seja aquele amor que não queremos deixar morrer e nos agarramos a ele por medo de não voltar a amar, seja aquele ódio que queremos conservar para nunca mais passarmos pelo que ele nos causou? Seja algum sentimento que nos causa culpa e queremos fingir que não o sentimos?

Quanto mais mergulho nesse rio melhor vejo a culpa como um dos elementos mais fortes da estagnação. É como se ela criasse uma barreira ao redor das coisas que pensamos que não devemos sentir. “Eu não tenho o direito de sentir isso, eu não devia sentir isso” – e esses pensamentos carregados de culpa freiam o sentir, e ele se mantém em nós, estagnado, apodrecendo, mofando e ficando cada vez mais monstruoso.

E seguimos a vida nos agarrando aos sentimentos, as emoções, proibindo que elas sigam seu caminho. E olhamos as crianças ou os poucos adultos que fluem como se eles não sentissem de verdade, já que se esquecem tão rápido do que passou, quando somos nós que não permitimos que o rio siga… e um rio parado se torna só uma represa. Mais dia, menos dia, tudo que está nessa represa morre e eu penso também em todas as coisas que não chegam nem a viver pois as águas desse rio nunca passará por eles.

Deixe suas águas rolarem, deixe fluir. Solte.

Necessidade x Desejo – por que eu acho que precisamos é olhar primeiro para nós mesmos antes de tudo!

Li esse post falando sobre menos da gente e mais dos outros e ocupei tanto o espaço de comentário do blog que achei que devia mesmo era fazer um post. E vamos lá!

Eu vejo muita gente falando sobre isso de sermos menos egoístas e olharmos mais para os outros, e eu não consigo concordar com isso. Calma! Eu explico!

Eu concordo que não podemos sair pelo mundo só suprindo nossos desejos sem nunca olhar para o outro, sem nos importarmos com as dores alheias. Só olhando para o vazio que nem conseguimos pensar muito dentro do peito. Masss… entre isso e entre focar nas nossas necessidades reais (e não nos nossos desejos) tem uma distância enorme!

Acho que é ai que está a principal diferença: Necessidade X Desejo. Necessidade é aquilo que é essencial para nosso bem estar, desejo é aquilo que a gente acha que precisa para suprir os vazios internos. Vamos ver um exemplo prático?

Fulano deseja que as outras pessoas reconheçam o quanto ele é bem sucedido e por isso sempre está tentando ganhar mais e mais dinheiro, para comprar mais e mais coisas. Um carro importado, roupas de marca, uma viagem cara… e assim vai, comprando coisa cara atrás de coisa cara só para ver as outras pessoas de olhos arregalados e pensando em como ele é bem sucedido. Mas de onde vem esse desejo de Fulano? Talvez da necessidade de ser amado… e em algum momento ele aprendeu que para ser amado precisa ter dinheiro. Que só assim amigos e mulheres se interessarão por ele. Mesmo assim, ele nunca se sente verdadeiramente amado, e por isso precisa comprar mais e mais coisas. Atrair mais amigos, mais mulheres… até encontrar alguém que preencha o vazio no peito. E bem provavelmente, o amor que está faltando é o dele para ele mesmo. Enquanto ele não se ver como alguém que mereça ser amado, com ou sem dinheiro, ninguém suprirá essa necessidade dele.

Exemplinho bobo, mas deu para pegar a ideia? Desejos escondem necessidades. As necessidade são reais, essenciais. Os desejos são vazios e não suprem realmente as necessidades. Ou suprem, por um breve período, mas assim que passa o efeito, bora repetir os padrões. Necessidade é da essência, desejo é do ego.

E bom, eu não vejo o ego como o vilão, não! O ego só é negativo, se a gente não consegue se enxergar de verdade (e ok, ok, se enxergar de verdade é mesmo muito difícil, dói e é exercício para vida toda!). Mas quando a gente consegue enxergar o ego e convida ele para tomar um chá com a gente, ficamos mais abertos e dispostos a ajudar verdadeiramente os outros. Porque só quando estamos presentes em nós mesmos, conscientes de nós é que podemos fazer isso pelos outros.

Eu sou mãe de um gurizinho lindo de 2a8m e uma das várias coisas incríveis que aprendi com a maternidade? Que a melhor forma de eu ser mãe para o meu filho, de acolhê-lo nas suas dores, incentivá-lo nas descobertas, nas tentativas é fazendo tudo isso primeiro comigo! Só consigo enxergar verdadeiramente a necessidade do meu filho, quando consigo enxergar as minhas necessidades (e veja bem, enxergar não é suprir, só reconhecer e aceitar mesmo!).

Meu filho entrou na fase que algumas pessoas chamam de Terrible Two há algum tempo, sabe aquela coisa que a maioria das pessoas chama de birra? Então, essa fase. Que antes de ser mãe eu via como birra também… ai me pari mãe, meu filho nasceu e tudo mudou. Descobri que a tal da birra é só uma incapacidade dele de se expressar. Tem aquele monte de sentimento dentro dele, tudo misturado, e ele não sabe como lidar com aquilo nem me contar o que tá sentindo. Por isso as crises de choro, por isso se joga no chão… ele não sabe o que fazer e tá pedindo a minha ajuda. Às vezes, como no exemplo do Fulano, ele não vê e não aceita suas necessidades (pode ser dormir, comer, descansar, atenção).

E o que isso tem a ver com essa história de eu X o mundo? Bom, para ajudá-lo a sair dessas crises eu precisava de algumas coisas: estar realmente presente para ele, identificar as necessidades dele. E quando uma criança chora querendo doce, brinquedo ou qualquer coisa, isso não significa que isso seja o motivo do choro! Aí que o bicho pega, porque ele me diz que quer X, mas a necessidade dele é Y (como o exemplo)! Ele chora pedindo doce quando eu estou perdida nos meus pensamento sem conseguir dar atenção real para ele. Chora pedindo o brinquedo impossível porque tá com muito sono e não sabe como me dizer isso…

Oxi, como é que eu reconheço as necessidades do meu filho, então? É simples (porém não fácil), me conecto com ele! Só um detalhezinho bobo, para fazer isso preciso primeiro me conectar comigo, com as minhas próprias necessidades. Preciso estar presente em mim, ligada a mim, para conseguir olhar para ele de verdade e compreender do que ele precisa.

Se eu não consigo me conectar comigo e olhar para mim de verdade, parece que tem um porta entre nós. E é incrível como o reconhecer as necessidades faz uma diferença tremenda.

Quando a gente entende que briga com o marido que não quer trocar fralda de cocô porque tá precisando é de um abraço,de acolhimento, contato físico, e não que a fralda da criança seja trocada parece que o horizonte se abre! Tem uma terapeuta argentina ótima que chama isso de “pedido deslocado”: a gente precisa mesmo de uma coisa, mas não consegue reconhecer, arranjamos outra desculpa para chorar.

Eu acho que só através desse exercício de encontrar as reais necessidades podemos ajudar verdadeiramente alguém. Primeiro fazendo com as nossas mesmos, depois tentando enxergar a dos outros…

Eutonia – minha experiência

Escrever sobre a Eutonia não é tarefa fácil para mim e para isso, vou precisar fazer uma retrospectiva (tentarei ser breve, não garanto!).

Eu era uma pessoa muito racional, muito verbal, objetiva e prática. Tinha muita facilidade para escrever (pouquíssima para falar). Mas algo me incomodava em ser assim, tanta mente, pouco corpo, nada coração… eu me sentia Atena, a filha que nasceu adulta da cabeça do pai, sem ligação com o feminino. Uma mulher masculinizada. Onde estava a emoção em mim? O elemento água? Onde é que pulsava meu coração? Cadê meu feminino?

Depois de muito encasquetar com isso e perceber que não podia ser minha essência já que me incomodava tanto, decidi cavocar minha alma até encontrar um resquício realmente feminino em mim. E foi assim que, em dezembro de 2010, decidi que ia me concentrar em me ligar ao elemento Água, nas minhas emoções, no meu feminino.

Nessa época também comecei a dançar, sozinha no quarto, no escuro. Com medo de ver a mim mesma ou de que alguém soubesse que eu fazia isso. Dançava sem me preocupar com os movimentos, fazia os movimentos que me corpo pedia. Às vezes pensava nos deuses que eu honrava na época e em que movimentos eles deveriam fazer, cheguei perto de alguns transes com isso e a sensação era ótima. Me sentia presente no meu corpo, e sentia a presença de uma energia divina enorme dentro e fora de mim.

Em fevereiro de 2011 engravidei. Sabe aquela história de cuidado com o que você pede? Pois é, ela não saia da minha cabeça! rs… Não foi uma gravidez planejada, estava me formando na faculdade, começando a vida profissional. Nada planejada, mas eu sabia, completamente desejada. E hoje vejo: completamente necessária.

Na gravidez, o feminino foi se mostrando para mim, aos pouquinhos. Fui encontrando minhas sombras, minhas lágrimas. Minhas águas começaram a rolar enquanto meu filho, Benjamin, crescia no meu ventre. E não foi nada fácil aceitar meu processo, me entregar a ele e confiar. Eu não me aceitava, não confiava em mim, não me entregava nem a mim mesma.

Procurei muito por um parto respeitoso, sentia tanto que eu e meu filho precisássemos disso. Fui buscando, com muita ansiedade, muita apreensão, e consegui meu parto domiciliar. Uma experiência incrível, transformadora, quando encontrei grande parte da mulher em mim. Onde eu nasci mulher. Onde eu me senti conectada a todas as outras mulheres que pariram antes de mim. Me senti em uma teia feminina. Uma teia de dor, de sofrimento, mas de amor, de acolhimento. 

Encontrar a mulher em mim me trouxe a consciência do poder dessa energia. Mais que isso, trouxe mulheres lindas e inspiradoras para minha própria teia. A conexão entre mulheres que sabem dessa energia é incrível! Incrível demais! Assim fica fácil perceber a necessidade da sociedade nos colocar umas contra às outras. Somos tão fortes juntas! A fragilidade de cada uma amparada e protegida pela força da outra. 

Pensando agora vejo o quanto mostrar essa fragilidade aumenta a conexão e a força, porque são nos grupos que ninguém tem vergonha de mostrar suas fraquezas, suas lágrimas, suas dificuldades que vejo essa energia crescer e vibrar. Onde o acolhimento é genuíno!

E foi assim que eu conheci a Mirella Bagdadi, e nem sei como dizer exatamente quando ou como, só sei que nas trocas do grupo nós nos identificamos e aos poucos fomos nos aproximando. E foi através dela que conhecia a Eutonia.

Ah, a Eutonia! Comecei a fazer com a Mirella agora em 2014, e nem foram tantas sessões assim. Mas para mim foi (e está sendo) uma ferramenta extraordinária, ou melhor, um conjunto de ferramentas! É praticamente uma caixa multiuso rs…

Uma coisa interessante desse processo de encontrar meu feminino é que eu perdi a maior parte da minha objetividade, da minha praticidade, até diria, da minha racionalidade. Tudo passou por uma reformulação, e foi difícil me encontrar de novo dessa nova forma. Me via tentando falar coisas sem conseguir colocar para fora. As palavras, que foram minha válvula de escape por uma parte da infância e toda a adolescência, não eram mais suficientes, não me encontrava nelas. Por isso demorei tanto para voltar a escrever. Acho que as palavras hoje tem uma nova função na minha vida.

Mas voltando a Eutonia, as coisas que senti que me influenciaram e foram essenciais para me ajudar a organizar toda essa minha nova eu. Por tópicos, para não me perder, nem me estender muito mais:

Certo e Errado: A maioria das atividades tem um certo, tem um jeito melhor de fazer. A Eutonia não, ela parte do aluno, do corpo sendo trabalhado. Da percepção desse corpo, dos movimentos, das formas. Eu tinha vivido até então tentando fazer o certo dos outros. Tentando estar sempre certa. Por quê? Nem sei dizer, criação eu acho. Perfeccionismo talvez. 

Foi na Eutonia que percebi duas coisas: a minha necessidade absurda de estar certa. E o quanto eu gastava energia fazendo isso! Meu corpo inteiro tensionava, até meu rosto (oi,bruxismo!), pensando se estava certo ou não. Percebi isso em uma aula em grupo de Eutonia. Depois comecei a reparar no meu corpo em todas as atividades. No trabalho era ainda pior! Tensão para todo lado. 

Ah, uma terceira coisa: percebi também que eu já deixei de fazer muita coisa por medo de não fazer certo. Dançar era uma delas. Percebi que o escuro me protegia do erro, percebi que era por isso que não queria dançar perto de ninguém! Ia me movimentar de forma errada. Percebi o quanto me contive, fisicamente, emocionalmente, com medo de sair fora da curva. Com medo de que então reparassem em mim e vissem o quanto eu estava errando.

Autoconhecimento: descobri que é impossível amar o que não conheço. E eu definitivamente não conhecia meu corpo. Não olhava para ele, não o sentia, não sabia das suas formas. Com a Eutonia eu fiz tudo isso, descobri suas possibilidades, o quanto de energia armazenada na minha pele, quantas memórias estacionadas em mim. Além das sessões, eu me movimentava em casa, da mesma forma que fazia lá em 2010 (mas com a luz acesa e olhando no espelho! rs) e com isso via como meu corpo era incrível! E tinha movimentos lindos. Pronto, a Eutonia fez eu me apaixonar pelo meu corpo! 

Confiança e entrega: Descobri que eu tinha medo de confiar e de entregar. Eu me deitava sem acreditar que o chão abaixo de mim me sustentaria. Eu me deitava, mas não permitia que meu corpo entrasse em contato com nada além do necessário. Isso fisicamente, mas eu sabia que esse medo era muito além do físico.

Leveza: descobri que posso fazer qualquer movimento com leveza, com tranquilidade, respeitando meu corpo, seus limites, aceitando, confiando e me entregando. E sim, não se restringe ao corpo! rs

Movimento milagroso que faz fluir: aprendi que me movimentar abre espaços, permite que os líquidos e sei lá mais o que fluam pelo meu corpo de uma forma que me faz sentir mais leve. Alivia as tensões. Acalma. Relaxa. Espreguiçar é outra coisa milagrosa! E quando começo a me sentir travada, quando minha mente começa a querer fugir de mim, é só ir para o corpo e me concentrar nesse eu material. Traz minha mente para o presente, me traz para o aqui e agora, resultado: alivia a ansiedade, afasta a depressão… 

{Re}organização interna e externa: quando saio de uma sessão de Eutonia, sinto que meu corpo está mais encaixado e flexível. É como se ele fosse reorganizado e com isso, todas as outras parte de mim se reorganizam juntas. É como chacolhar um copo com areia e pedras (talvez também água, ar e fogo! rs) e ver como esses elementos vão se ajeitando. E minha principal função é permitir que esses elementos se encaixem da melhor forma dentro do recipiente. É mais “não-ação” do que “ação”. Talvez seja focar no ser simplesmente… e o coisa difícil!

Confirmação: e uma das coisas que a Eutonia, junto com várias outras coisas que aconteceram nesses últimos meses, me fizeram ver foi que sim, eu posso e devo confiar em mim mesma. Quando me ouço, eu encontro meu caminho. Quando me enxergo, eu vejo a luz indicando a direção. Eu só tenho de silenciar as outras vozes e ir buscando o que é meu de verdade. Tenho de confiar em mim, aceitar quem eu sou e meus caminhos, me entregar ao que meus sentidos me mostram e eu chegarei exatamente a onde devo estar. No aqui e no agora, que é realmente o único lugar que importa. Tomar a consciência de quem sou e aceitar é o primeiro passo para a mudança acontecer, e assim, ela pode ser leve, sútil e forte!

Gratidão, Mirella!

 

 

Fazer o que se ama – armadilha?

Já faz um tempo que tenho tido contato com o mundo do “faça o que ama”, vi sentido na ideia desde o princípio, mas era um sentido literal: eu sentia que era um conceito interessante.

O movimento parece ter ganho uma força incrível, porque agora vejo tantos outros artigos contra ele. Alguns chamam o movimento do “Faça o que ama” de armadilha. Mas, será mesmo? O primeiro que eu li contra, que já não lembro o link, era bem construído e me fez concordar por um momento. 

A principal argumentação desse primeiro eltexto era que se todas as pessoas do mundo decidissem seguir o conselho e seguir carreiras que amassem quem iria fazer o trabalho “ruim”?

Esse argumento me colocava para pensar, até que li um texto falando de um cara, pós-graduado em algo que daria dinheiro (engenharia se não me engano), mas ele escolheu ser motorista de ônibus. E para ele, o trabalho significava muito, era o que o fazia feliz! Ele transportava pessoas! 

Tempo depois, o argumento de “trabalhos ruins” ainda ressoava na minha cabeça. Até que essa semana um amigo me disse que o que o fazia ele feliz de verdade era ser garçom. Ele gostava de servir as pessoas, do contato direto com o cliente… bom, eu achei que garçom estava na lista de profissões “ruins”, horários malucos, gente chata exigindo coisas. E ele gostava, era o que o que fazia feliz.

E por que ele não trabalhava com isso, então? Porque o pai dele não queria.

Foi então que o argumento de “trabalho ruim” caiu para mim. O problema não era não haver pessoas dispostas a trabalhar em coisas consideradas “ruins”, o problema é que nós não valorizamos todas as profissões! O problema é que nós acreditamos que existam “trabalhos ruins”. E bom, no âmbito pessoal, eles podem existir. Trabalhar com números para mim seria um tormento, área de saúde também. Mas eu entendo que tenham pessoas que amem os números, e tantas outras que se realizam como enfermeiros, médicos… e claro, eu valorizo essas profissões.

Mas no âmbito social, os trabalhos deveriam ser todos valorizados, independente do que sejam. O gari, por exemplo, nós costumamos ver pessoas mexendo com lixo e sujeira, que horror. Mas é nosso lixo, é nossa sujeira, e se essas pessoas não estivessem lá para limpar para nós, como seria nossa cidade? Podemos pensar no gari como o cara que mexe com lixo. Ou podemos enxergá-lo como o profissional que traz limpeza para nossa cidade. 

Depois dessas duas histórias, do cara que amava ser motorista de ônibus, do amigo que era mesmo feliz sendo garçom e só não o era pelo pai, cheguei a conclusão que a única forma de realmente saber se não existem pessoas dispostas a fazer todos os trabalhos é valorizando todas as profissões.

Fico pensando em quantas pessoas não assumem suas paixões, seus desejos com receio do que vão pensar. Ou pior, não assumem nem para si mesmas, deixam suas paixões bem escondidinhas que é para ficarem quietinhas e não darem trabalho! Façam esforço para ignorar e nem percebem, não olham para dentro só para fora.  E por quê?

Pelo meu segundo argumento: olhar para dentro dá trabalho e isso é essencial para descobrir nossas paixões. Fomos ensinados a olhar para fora, desde pequenos, formatados a ignorar tudo que vem de dentro. Na escola, ficávamos sentados em cadeiras mesmo quando o corpo pedia movimento, tínhamos de fazer silêncio mesmo que a necessidade de falar fosse enorme, xixi só quando fosse permitido, comer só no recreio. Não importa o que vem de dentro, importa os horários escolares. Isso quando imposições desse tipo não vem de casa, em rotinas que não consideram os ritmos biológicos nem humanos, quem dirá de uma criança específica.

Além disso, aprendemos que podemos agir como todos esperam e ganhar estrelinhas, elogios e palmas. Mas se saímos um pouco dessa expectativa, e independente do motivo porque ninguém vai ter peguntar o porque sinceramente, recebemos críticas, olhares tortos, sermões e o cantinho do castigo. 

E sim, essas duas experiências ainda estão em nós, ainda esperamos estrelinhas e temos receio do cantinho do castigo. Mesmo que não seja tão consciente mais.

Tendo esse histórico, olhar para dentro é um trabalho árduo. Aceitar o que se vê dentro de nós, ainda mais. E não é coisa a curto prazo também, e por isso eu sempre penso que, muitas pessoas podem fazer qualquer tipo de trabalho enquanto procuram sua paixão. Para mim, só a consciência de estar procurando a minha, de estar no caminho, já é motivação suficiente para fazer bem o trabalho que faço hoje (que envolve algumas paixões, mas não é tão significativo quanto eu gostaria). 

Por isso, talvez seja mais fácil pensar que essa coisa toda de “faça o que você ama” não é para todo mundo, ignorar os questionamentos internos e passar o dia fora investindo tempo, energia e talento em uma coisa que não te traz nada muito além de dinheiro. Ai, a satisfação que falta no trabalho é recompensada em consumo.

O que nos leva a outro argumento: satisfação pessoal X consumo e como isso pode influenciar na economia. Mas como esse texto está ficando muito longo, vou deixar para outro post e como nota para mim, quero também falar sobre porque acredito que fazer algo que se tem amor pode trazer mais dinheiro naturalmente e talvez desmitificar um pouco a questão do “faça o que ama”. Ah, e também falar sobre o argumento desse texto esse artigo da Exame que foi o último que li e ele me incomodou tanto que está gerando esse texto.

Bom, até o próximo post. 

Recomeçando

Os blogs acompanham minha vida desde a adolescência. Demorei para perceber que blog novo era sinônimo de fase novo, ciclo que se iniciava. Em uma dessas fases, ao invés de trocar de blog atualizava o template de tempos em tempos.

Esse blog não é diferente. Engravidei há muitos meses atrás, assim que me formei publicitária. Já trabalhava na área e somei a vida profissional, a maternidade e o casamento. Foi uma fase maravilhosa, embora na época eu me sentisse mais em um furacão. Cresce e aprendi mais sobre mim e o mundo nesse período do que poderia supor possível.

Encarei sombras, dores, feridas, descobri coisas que não queria mais, acrescentei tantas outras. Me despedacei tantas e tantas vez, até ir reencontrando pedacinhos meus que queria de volta no quadro final, junto a tantos outros novos.

Nesse período, criei três blogs, não simultaneamente, mas cada um foi nascendo naturalmente e eu fui mantendo os três. Não com muita constância, mas tê-los lá significava ter os três.

O primeiro foi o Depois de Benjamin, que criei na gravidez, onde o turbilhão só começava, mas já era muito para digerir. Nele contei um pouco sobre meus pensamentos loucos da época, sobre o parto que eu queria e consegui! O relato está nesse blog também. Um pouco do meu puerpério e dos desafios que a maternidade me trouxe.

O segundo foi o Do que carrego no bolso, porque todas as coisas que chegaram até a mim na vida pós-maternidade não cabiam no primeiro blog. Eram de várias áreas da vida, tinham mais a ver com a mulher em mim do que a mãe.

O terceiro blog nasceu junto com o curso de costura que eu comecei, meio no susto. E era um lugar para colocar meus escritos, poesia e prosa, que não cabiam em nenhum dos anteriores.

E foi assim que me dividi. A mãe, a mulher e a escritora.
Três ciclos que se enlaçavam mas não se encaixavam. Como se eu remontasse o quadro de mim em três área distintas.

Até que surgiu a vontade de criar esse blog, em que os três anteriores de alguma forma estivessem presentes. Em que eu olharia de novo para cada um desses blogs, trazendo algumas coisas deles para cá, trazendo muitas novas de tudo isso. E é aqui, que eu vou unir essas três parte divididas de mim (e tantas outras).

Porque sinto que o ciclo da minha reconstrução chegou ao fim, não que eu esteja ‘finalizada’, mas o que eu quero e o que eu não quero estão mais claros. É como se o alicerce estivesse pronto e, agora, vou contruindo em cima disso, com mais coesão e principalmente, mais alma e autenticidade.

Com mais sentido e sentimento.

Gratidão!